Este ano ensinou-me tanto, trabalhei tanto em mim, na minha vida, nas pessoas que me rodeiam.
Este foi o ano em que deixei de pensar só em mim, e que realmente senti que me tornei mais humilde.
O ano começou com uma gravidez bem vinda e esperada. Foi planeada, apesar de mal planeada, mas foi sem dúvida a estrelinha do meu ano.
Afastei-me de pessoas que não me identificava e juntei-me a quem realmente sinto ligação e carinho. E nem sequer foi algo que fiz conscientemente, foi natural, foi de ambas as partes, por isso não existe culpa, nem perguntas por responder, pelo menos da minha parte. Aprendi a deixar de forçar, porque relações não se forçam, ou são puras e cruas, ou não são nada.
Este ano ensinou-me muito a nível pessoal, lidei comigo num estado muito debilitado, e mesmo assim tive forças para enfrentar todos os dias, de lutar, de trabalhar e melhorar. Forças essas, que eu julgava não ter. Ainda nos dias de hoje me bato palmas interiores, por tudo o que consegui ultrapassar, sozinha e com ajuda.
Lidei com muitos dissabores, e aprendi a batalhar lado-a-lado com me quem bem, em vez de afastar tudo e todos e viver no meu mundo miserável.
Aprendi que recaídas são "ok", que não me tornam menos que ninguém, nem me tornam mais fraca. Que ficar chorar é necessário quando as palavras não chegam para transmitir o que sinto, sem me sentir mal comigo mesma por o ter feito. Que as pessoas precisam de tempo para saberem lidar comigo nas minhas recaídas e que não nascem ensinadas e que não as podemos crucificar, mas esperar, mesmo que nos custe e magoe.
Que pedir ajuda, mesmo que pela 10ª vez, não faz mal. Faz parte para quem vive a vida em recuperação.
Aprendi que ir pelo caminho mais fácil não é opção, que tenho alguém que depende do meu bem estar.
Amar, sem pedir o mesmo em troca.
Quando se tem um bebé, a vida muda de cor e se antes só via a preto e branco, hoje já vejo partes do cinzento.
Sei hoje, que sempre tive esta força dentro de mim, só não sabia que ela existia. E é extraordinário como eu tenho essa capacidade, de meter todos os sentimentos negativos e emoções fortes e deprimentes bem lá para dentro de uma gaveta e sorrir, ser cuidadora, fazer um ser humano pequeno feliz, limpo e com capacidades maravilhosas de aprendizagem. Trabalhar com ele para ele evoluir, preocupar-me com o seu bem estar, antes do meu, primeiro ele, depois eu. E sem me sentir mal com isso, bem pelo contrário, com um sentimento de gratificação.
Pois aquele ser humano pequeno, fui eu que o gerei, que o criei durante 35 semanas dentro de mim, e nasceu e eu passei 10 dias, 3 dos mesmos, muito mal depois de uma cesariana, sempre ao lado dele, enquanto ele estava a aprender o que não teve tempo de aprender dentro da minha barriga. Esse foi o meu primeiro contacto com o amor, no seu estado mais puro. E o que eu chorei. Por não poder estar ao lado do meu bebé quando ele nasceu, mas eu tive força pelos dois, e foram só 10 dias.
Mas a força que eu tive aí, foi a força que eu arranjei para superar tudo.
Este ano foi sem dúvida um ano de mudanças e aprendizagens. E agradeço a todos os que me ajudaram a ultrapassar todos os momentos menos bons, os que tiveram paciência comigo, os que não me deixaram ir para o meu buraco negro, aos que gostam de mim apesar das minhas imperfeições. Um OBRIGADO geral, aos que estão comigo.
Viver em paz e harmonia, com amor e respeito e paciência. Estamos sempre a aprender e a mudar.
Que venha o próximo ano, e que venham mais aprendizagens e coisas positivas.
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