Adoro os meus picos de alegria e felicidade, eu sei bem o representam, eu sei bem o que são...
Mas não os deixo de adorar, naqueles instantes, sejam eles minutos, ou horas, parece que tudo está bem, parece que está tudo alinhado e eu desejo secretamente para mim mesma que não acabe, oh por favor, que não acabe.
São aqueles momentos em que eu estou numa excitação tal que não consigo explicar.
Eu sei que não é normal, mas gosto quando vem... Sinto-me como nova.
Claro que isso depois acaba, e depois volto a minha realidade. E tudo volta a ser o que sempre foi.
Depois faço a minha retrospetiva daqueles momentos passados, aqueles momentos em que sou invencível e melhor que toda a gente, e que posso tudo e que posso ser tudo! E penso... Penso que naquele momento eu fui literalmente o meu oposto ao "adeus tristeza?".
Não é fácil para mim admitir que tenho um "problema", "problema" esse que convive diariamente comigo e que eu tenho que lutar contra. Aqui apenas escrevo a parte negativa da minha cabeça, e a parte negativa dos meus pensamentos. Mas nunca falei da outra parte, talvez por saber que aí as pessoas iriam perceber que eu não sou só "depressiva" ou "revoltada".
Na minha cabeça esta montada um género de montanha russa, e nela eu ando todos os dias, à dias em que eu não saio lá de cima, à outros dias em que eu não saio lá de baixo, e curiosamente à dias em que eu ando por todos os lados. Em cima, em baixo, no meio...
Entre a raiva que vem e eu não sei de onde, a tristeza idem idem, e a extrema felicidade... Sinceramente a minha favorita.
E ocasionalmente, o estado de normalidade... Quando eu consigo ter os dois pés assentes na terra e penso com calma e razoavelmente sobre a vida e a minha pessoa.
Cansativo? Muito. É muito cansativo. Haver dias em que não me apetece tomar banho, nem me apetece sair da cama. Haver dias em que me apetece por a minha melhor roupa e sair por aí sem destino.
Agora calma, nem tudo é tão descontrolado e confuso quanto parece... Eu lido com isto desde que me lembro de "ser gente", por isso eu sei "controlar" maior parte dos meus impulsos, e maior parte da minha vida.
Agora não, eu não consigo controlar tudo, e ás vezes falho, porque sou um ser humano, e por vezes tonar-se muito, torna-se demasiado e vou abaixo.
Aprendi com os anos, a canalizar a minha excitação e extrema felicidade para coisas mais saudáveis.
Eu luto, eu luto todos os dias, com todo o meu ser, eu luto.
Mas quando se luta todos os dias, à sempre momentos de cansaço. A cabeça ás vezes ganha, as pessoas ás vezes levam o melhor de mim e eu não aguento, e eu quebro e eu choro, e eu pergunto a Deus "Porquê?" "Porquê eu?".
Sinto tudo, como se tivesse uma pele super fina, por isso tudo sinto, e tudo me magoa, ou tudo me deixa feliz, dependendo do que vem. Não existe meio termo.
Vivo a vida a preto e branco, e ando a tentar encontrar o cinzento, eu preciso do cinzento.
Não perdoo com facilidade e tenho medo que me abandonem porque não aguentam mais, porque sou demasiado.
Então isolo-me, não me mostro, porque mais vale ser eu do que os outros.
Porque toda a gente no fim acaba por ir embora, e eu não os condeno. Eu se pudesse também me deixava. E ia para alguém que já tivesse a cabeça no lugar, ou parte dela, porque no fundo ninguém tem a cabeça no lugar a 100%.
Mas fico comigo, e escolho resolver-me, e escolho ser melhor todos os dias, e não desisto.
Escolho-me a mim.
Catarina Valentim.
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