sábado, 6 de outubro de 2018
Adeus tristeza?
Muito tempo já passou desde que tive necessidade de escrever algo... Sinto que com o passar do tempo tenho-me perdido, entre o quotidiano da minha vida, entre mudanças e novos começos.
Nem sempre quando nos sentimos perdidos é um mau sinal. Acho que quando nos apercebemos que estamos perdidos é óptimo até, significa que ainda há esperança para nós mesmos. Significa que estamos dispostos a contrariar a rotina, e tudo o que nos tem feito sentir como se nos estivéssemos a afogar, e só conseguimos respirar quando vimos a tona de vez em quando respirar o pouco que conseguimos e depois lá vamos nós outra vez...
De volta a rotina, de volta àquilo que nos causa ansiedade, mau estar e desconforto.
O que é que precisamos para nos sentirmos bem? Quando é que podemos dizer adeus à tristeza que vem sem aviso prévio e fica aqui e nós não sabemos quando é que ela se vai embora, nem sequer sabemos porque é que ela veio, simplesmente ficamos estáticos com um sentimento de impotência tal que não sabemos para onde nos virar, perdemos o chão, perdemos o controlo sobre os nossos próprios pensamentos, tudo o que fica é um sentimento de vazio.
E depois? O que acontece depois? Quando ela se vai embora e ficamos com os danos todos que esta causou?
Depois temos que andar a apanhar os bocados de nós mesmos do chão, e tentar de alguma maneira arranjar força interior para os por juntos de novo...
O problema é só um... Depois de conseguirmos juntar os pedaços todos, depois de estarmos colados de novo, ela volta...
E isto torna-se num ciclo, um ciclo este que nos consome. Posso até chamar-lhe de tortura, a minha própria cabeça gosta de me torturar.
Estou sempre à espera de quando é que ela volta a atacar, quando é que a tristeza volta para me consumir de novo, para me tirar o chão, para me afastar das pessoas, para me fazer comportar como uma pessoa completamente diferente daquilo que eu sou na realidade.
Por isso sim, sinto-me perdida... Pois quando eu estou cheia de esperança e cheia de energia para enfrentar um novo dia e novos desafios, e novas etapas, sou invadida por este sentimento.
Olho para trás e chego a conclusão que ela nunca se foi realmente embora, ela apenas ficou escondida à espera de um sinal meu de fraqueza para voltar, para me assombrar. E nisto eu fui ingénua o suficiente para dizer em voz alta "ADEUS TRISTEZA ATÉ DEPOIS!" quando na verdade deveria ter dito, "adeus tristeza, até daqui a uns anos quando me voltares a apanhar desprevenida".
Já me despedi tantas vezes dela, tantas vezes eu segura de mim mesma, achei que estava livre deste sentimento, atenção, não estou a falar daquela tristeza ocasional que vem quando algo não corre bem, ou quando algo de mau acontece, essa faz parte da nossa vida, e não seriamos seres humanos conscientes se não a sentíssemos...
Não estou muito esperançosa para me ver livre dela para sempre, não sei se algum dia será possível. Tenho sempre aquela Fé, que talvez, possivelmente, num dia remoto, num futuro distante, que me possa sentir eu outra vez, que me possa rir sem o aperto no peito estar sempre lá, a lembrar-me que aquele riso não é genuíno, a lembrar-me que não, eu não sou feliz, eu estou a esforçar-me, mas não o sou.
Não sou ingrata e sim, dou valor a tudo de bom que tenho na minha vida, não é isso que está em causa, nunca esteve. Eu sei o que tenho de bom, eu sei o que tenho a dar valor, eu sei o que tenho em ser grata.
Apenas queria me encontrar de novo. Queria e quero, e eu sei que esse dia irá chegar, estando ele a dias ou a anos de distancia. A minha esperança pode estar estilhaçada, mas a minha Fé não me deixar ir a baixo.
Ai tristeza- voltaste, e agora quando te fores embora, eu já estou a pensar no dia em que vais voltar.
Catarina Valentim.
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