já não há termos, nem definições concretas, já não à descrições, ou algo para adicionar.
são dias, noites, tardes, manhas, são momentos, sentimentos, lugares, e espaços.
novos, velhos, em ruínas ou modernos.
são talentos, ou falhas.
vitorias, ou perdas.
são começos, e finais.
é o principio, o meio e o fim.
é o frio, o morno, e o quente.
é a sorte e o azar.
é o bonito e o feio.
é tudo, ou nada.
o amor, o ódio.
tantos objectivos, sentimentos...
tantas palavras, vogais e letras.
tantas frases, virgulas, pontos finais e reticencias.
vou pegar numa folha de papel e descrever tudo o que esta a minha volta, traçar e riscar até a folha rasgar.
pegar na guitarra, abrir a porta sair a correr e ir para a rua gritar.
correr, correr, com um único destino.
vou até a praia escrever o meu nome na areia.
vou à agua dar um mergulho.
vou buscar a guitarra, e tocar até os dedos doerem tanto ao ponto de sangrarem.
por fim deito-me na areia, agarro-me à guitarra e adormeço.
no dia seguinte, com a praia deserta, vem a chuva, mas eu permaneço deitada na areia fria e molhada de barriga para cima, a olhar para as nuvens cinzentas, e com a chuva a cair-me sobre o corpo.
nesse momento, tudo me passa pela cabeça, penso sobre tudo, sobre a minha vida, sobre tudo o que me rodeia.
deitada durante horas, com a chuva cada vez mais intensa, já a tremer com o frio das roupas molhadas, olho a minha volta e continuo sozinha, naquela praia deserta.
viro a cabeça e vejo por uma fisga de uma nuvem que o sol já se está a pôr.
e é nessa altura que me levanto, pego na guitarra, e volto a correr de caminho a casa.
quando chego, vou para a banheira, ligo a agua, e fico ali parada com a agua quente a escorrer-me pelo corpo, depois da temperatura voltar ao normal, saio, pego na toalha, seco-me, vou para a cama, fecho os olhos e imagino a minha praia deserta, e desejo mais que nunca voltar para lá. e aí durmo, com a memoria da minha noite passada na cabeça.
catarina valentim.
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