há dias assim, há dias em que só desejamos não nos termos levantado da cama.
acontece algo... e depois desse algo, depois de nós já nos termos ido abaixo... acontece outra vez algo... e quando pensamos que as coisas nao podiam piorar, acontece algo ainda pior, algo para tornar o nosso dia, um dia a esquecer.
há dias assim, dias em que nós daríamos tudo para nao termos saído de casa.
dias genuinamente desgastantes, dias que nos fazem deitar na cama, fechar os olhos, ouvir musica e por vezes, chorar... porque ninguém é de ferro, e todos nós precisamos dos nossos momentos, sozinhos... por nossa conta, a pensar no dia que tivemos, e desejar desesperadamente para que o dia seguinte seja melhor, mas no fundo temer que seja pior.
pois quando estamos nestes dias, pensar positivo é quase impossível, e sinceramente muito trabalho dá.
não dá para pensar em flores e borboletas, quando a única imagem que temos na nossa cabeça é um canto de uma parede escura, onde só está uma cama, com os cobertores desfeitos, a almofada, e nós lá deitados, sozinhos.
ás vezes o melhor que podemos fazer, é deixar os sentimentos falarem mais alto.
ás vezes não faz mal. não faz mal chorar, não faz mal querermos estar sozinhos, até sabe bem, e até nos faz sentir melhores.
são os dias em que odiamos a vida, veneramos a morte, saboreamos a tristeza, e esquecemos a felicidade.
uma cara sem expressão toma o lugar do nosso sorriso.
as lágrimas tomam o lugar das gargalhadas.
o sentimento de vazio toma o lugar do sentimento de esperança.
a musica alegre é excluída e dá o lugar a musica triste, musica esta que nos deixa numa depressão maior, que nos deixa mais pensativos, e mais atentos à nossa propria tristeza.
os olhos já ardem, já custam a fechar.
o nariz já não consegue respirar.
e é aí, ao som da musica, que tentamos fechar os olhos, e caímos num sono profundo.
catarina valentim.
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