é chamada, a bola de neve.
já está a rolar a muito tempo, e cada vez está maior, e ainda irá magoar alguém, e já me começou a afectar.
já só há felicidade temporária, pois volta sempre tudo à estaca 0.
queres tudo, queres tudo, e queres tudo, mas tudo não te posso dar, posso dar um pouco, mas também preciso de algo meu, preciso de continuar a ser eu, para te poder dar aquilo que te dou.
não me obrigues a dar mais do que aquilo que te posso dar, se um dia te deram tudo, aproveitasses, eu não te posso dar tudo, eu não quero ficar sem nada.
nada dura para sempre, e eu preciso de mim, para ser minimamente feliz, preciso de me ter.
se tu me podes dar tudo, óptimo, mas não te esqueças que precisas de ti, e de um pouco para ti.
tu dás, e eu dou, mas ninguém pode dar tudo. temos de saber gerir, equilibrar.
sou feliz com o pouco que me dás, também gostaria que entendesses que tudo aquilo que te dou, é do melhor que podes receber, que tudo aquilo que te dou é por te querer dar.
mas tudo não, poderias ter tudo, mas não de mim, talvez mais tarde. mas agora? agora preciso também de mim, e tu mais do que ninguém deverias saber.
se eu já tenho pouco, e um pouco do pouco que tenho, é para ti. devia-te chegar, deverias saber que te dava tudo o que tenho, mas assim ficaria sem nada, e sem nada, não sobrevivo.
aproveita o que tenho para te dar, dá valor ao que te dou, dá valor àquilo que sou, não digas só que dás valor, eu preciso de ver, preciso de algo mais do que palavras.
dá-me valor, porque eu não tenho muito, e eu preciso de mim, andei a trabalhar para isso, andei a trabalhar para me ter e adquirir um pouco de mim, agora não me obrigues a ficar sem nada. estás-me a desfazer, estou a ficar já com pouco de mim, por não dares valor ao pouco que te dou.
eu assim não aguento, e tu não vês, não vês que eu sou um ser egocêntrico? não vês que te quero, mas que também me quero a mim? que preciso de mim? mas também preciso de ti. preciso de nós dois, mas para, pára de ser assim, pára de não me perceber, pára de fazer tudo para me desfazeres ainda mais, mesmo sem intenção, mesmo que essa nem seja a tua ideia.
vê o que me estás a fazer, vê e lembra-te de tudo o que já te disse.
não piores a minha situação, não piores o pouco que tenho.
vê isto com uma lição, aprende comigo, que eu aprendo contigo, aprendemos um com o outro, não precisamos de nos ter incondicionalmente para nos amar-mos verdadeiramente.
escuta-me, preta atenção as palavras que digo: precisas tanto de mim como eu preciso de ti.
a maior prova de confiança, é confiar, portanto, sabes o que tens a fazer, eu não sou perfeita, e também desgosto de muita coisa que não me podes dar, e eu nunca te obriguei a dar nada que não pudesses, ou já?
eu tenho fraquezas, mas preciso de ti lá, para me suportar.
eu tenho medos, mas preciso de ti para me ajudar.
não penses que te desprezo, nem que te ignoro, ou que não te dou valor, porque valor é o que te dou mais, atenção, só não te dou mais porque não posso.
preciso só de saber que te tenho comigo, para não me sentir 100% sozinha, acho que nunca virás a saber o quanto dou por ti, por nós.
já te disse, só não te dou mais porque não posso.
pensas que não me esforço, mas se vires bem, tenho um grande papel por ainda hoje nos mantermos juntos, e unidos.
não desisto, mas posso vir a desistir, porque não sou de ferro, e também passo o meu limite, muitas vezes.
eu já te dei o mais importante de mim, agora pensa, o meu coração, parte dele está contigo, agora mantém essa parte viva, para não me destruíres mais.
catarina valentim.
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