não é uma simples dor que chega, fica por minutos, horas e depois passa.
não é uma dor que vem de vez em quando e desaparece.
não é passageira, nem repentina.
nao é rapida nem curta.
é provavelmente a pior dor de sempre, é aquela dor que permanece, e nos deixa num estado tão miserável e num estado de frustração e desespero.
deixa-nos sempre a pensar nas piores hipóteses de a fazer parar.
leva-nos a loucura, faz-nos chorar até já não haver mais nada para chorar. até o nariz entupir e os olhos doerem.
faz-nos sentir estranhos e à parte com pessoas à nossa volta, e sozinhos e deprimidos, sem ninguém por perto.
faz-nos dar mil e uma voltas à cama até adormecer.
faz-nos acordar e sentir que por momentos tudo não passou de um sonho mas rapidamente voltamos à realidade.
faz-nos não conseguir falar com ninguém sobre essa dor, esse sofrimento.
faz-nos querer apenas estar deitados.
a olhar para o tecto a pensar em tudo aquilo que se passou, na razão de tudo.
é sentirmos-nos inúteis, sem saber como parar tudo aquilo, todo aquele tormento, tortura.
é uma tristeza tão profunda, tão profunda, tão profunda.
é olharmos-nos ao espelho e nao reconhecer-mos aquela pessoa, e sentir pena dela.
é pedir para aquela dor parar. e pedir para tudo melhorar. é não ter respostas e nao ver mudanças.
é simplesmente explodir de tristeza.
é culparmos-nos por a ter-mos causado mas sabendo que no fundo nada podíamos ter feito para a evitar.
é querer mexer um braço e sentir que nem forças temos para isso.
é o ciclo da dor mais profunda e dolorosa.
que eventualmente acaba por passar. como tudo. não é rápida e curta, é simplesmente longa.
catarina valentim.
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