domingo, 14 de novembro de 2010

it's your fucking nightmare.

um dia, numa tarde de frio, saio de casa a pensar no meu destino, sem qualquer sitio em mente, ando, ando, ando, à espera de encontrar o sitio perfeito. a certa altura, dou por mim a olhar à minha volta, e a nao reconhecer nada... quando dou por mim estou perdida, no meio de nada.
começo a correr desesperadamente, a procura de um sinal, de alguém... mas nada encontro, sinto um aperto no peito, um calor a instalar-se no meu corpo, um nó na garganta, quero gritar, mas estou demasiado assustada para isso, quero chorar, mas estou demasiado fraca para o fazer, ja nao tenho forças para andar, para correr, para pensar, para falar.
esgotei-me por completo, preciso de me sentar, preciso desesperadamente de me sentar.
sem forças, e a rastejar os pés, andei a procura durante uns minutos algo que pudesse servir de banco/cadeira.
finalmente encontrei algo parecido com um banco, de pedra. deitei-me lá, e por lá fiquei, fechei os olhos mas nao consegui adormecer, apesar de manter os olhos fechados, o sentimento de desconfiança era mais forte, nao me sentia confortável, mas com o cansaço que sentia, estar ali e poder descansar já era fantástico. precisava de recuperar as forças para no próximo dia encontrar o meu caminho e voltar a casa.
nao sei como, acho que caí num sono profundo, tão profundo que até sonhei... no sonho estava em casa, deitada na cama de barriga para cima a ouvir musica, tudo normal, até eu olhar para os meu braços e os ver completamente cortados, olho para a mesa de cabeceira e estava lá uma faca... mas por incrível que pareça nao sentia dor, e tinha tanto sangue a escorrer, a cama estava coberta de sangue. só via sangue, e nao sentia dor, no sonho, levantei-me e fui a casa de banho limpar os braços, quando os limpei, abri mais os cortes, e aí comecei a sentir dor, muita dor, tanta dor que me dava vontade de morrer, comecei a gritar, gritar o mais alto que conseguia, mas parecia que ninguém me queria ouvir, nada conseguia fazer, os meus braços doíam, os dois. parecia uma espécie de tortura. continuava a gritar, a chorar e a sentir-me inútil, e a única coisa em que pensava era em acabar com aquele desespero de vez... até acordar, quando acordei olhei para os meus braços, e estavam normais, olhei a minha volta e estava no meu quarto, afinal não tinha tudo passado de sonhos.
foram só pesadelos.


catarina valentim.

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